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Automobilismo, motociclismo, música, política, cinema, história… Este é um espaço para compartilhar ideias, opiniões, imagens, sonhos e loucuras. Divirta-se!

Continuo com eles. Sempre.

dilma e jango

O blog está parado. Mas continuo com Dilma, assim como – mesmo antes de nascer – eu já estava com Jango. Sempre, sempre, sempre.

Lou Rawls, “Natural Man”

QUAL É O MEU LADO NESSA PALHAÇADA TODA

lula89

PARA O FIM DE ANO PASSAR MAIS RÁPIDO: A HISTÓRIA DO AUTOMOBILISMO

Ricardo Divila aprontou outra das suas: mandou nove links do Youtube com documentários sobre a história do automobilismo desde os primórdios. Ainda bem que o fez nesta época em que há tempo disponível para isso.

Os links estão aí embaixo e possuem imagens sensacionais. Vale muito a pena assistir.

Aos leitores deste semimorto blog, desejo boas festas e ótimo 2016.

Como lidar com pessoas difíceis: a cegueira ideológica*

Piratas do Tietê

*Este texto de Luiz Cláudio Tonchi foi publicado no Blog do Nassif. Para ler “no original”, clique aqui. A ilustração é da Laerte, sensível e inteligente como sempre.

Como lidar com pessoas difíceis: a cegueira ideológica

Atualmente, cada vez mais, temos que conviver e interagir com pessoas intolerantes, muitas vezes, intransigentes, com visões de mundo recortadas, parciais e ingênuas, construídas a partir de certa doutrinação. Refiro-me à negação da aquisição de conhecimento, a qual reduz o pensar e agir do indivíduo a uma cegueira ideológica, que atualmente afirma-se de forma estarrecedora, principalmente através das tecnologias digitais.

A cegueira ideológica significa a incapacidade do sujeito de organizar suas ideias, princípios e valores que reflitam uma determinada visão de mundo, visão esta que seja capaz de orientar suas condutas. Assim, a pessoa torna-se condicionada e limitada intelectualmente, comprometendo a qualidade de suas ideias, nas mais diversas formas e possibilidades de expressão.

Para que o diálogo se estabeleça é necessário o que chamamos de abertura ao pensamento do outro, sobretudo com respeito e alteridade. Tudo o que é dito exige uma conduta ética. O diálogo em si significa aceitar o risco de que seu ponto de vista não prevaleça, em relação ao que é essencial. Ao se relevar os conflitos de interesses e opiniões contrárias, sempre é possível chegarmos a um consenso, capaz de superar as particularidades individuais ou passionais, as idiossincrasias, e encontrarmos uma possível universalidade – um caminho para a verdade objetiva.

As pessoas “difíceis” são aquelas que têm seus pensamentos e ideais como verdades absolutas. Tais pessoas desconhecem a troca que ocorre no verdadeiro diálogo; nunca aceitam a ideia do outro. A sua interação é vertical, imposta, e quando o interlocutor faz qualquer argumentação ou manifestação contrária a pessoa se irrita com facilidade. É teimosa, inflexível e reacionária. Seu discurso é repetitivo e pobre. Por exemplo, uma pessoa que se atém a certos preceitos, mas nunca os questiona, e assim torna-se uma pessoa dura, não consegue enxergar o todo e as relações de forças que determinam uma de

Nos dias de hoje as redes sociais tornaram-se o principal palco das manifestações de intolerância. É muito fácil identificar esse tipo de conduta nas redes. Há muitas. As suas postagens são repetitivas, sempre postam o mesmo assunto de forma obsessiva. Esses indivíduos possuem uma atitude passional de sectarismo, de intolerância e de agressividade relativamente às pessoas que não comungam da mesma fé religiosa, da mesma convicção (ou ideologia) política ou que não defendem os mesmos valores. Por exemplo, no campo político, são muitas as manifestações de ódio e de intolerância, sempre permeadas de uma contundente e incisiva atitude depreciativa para com seus adversários.

É oportuno lembrar o pensamento do pensador iluminista Voltaire (1694-1778), que disse: “Posso não concordar com uma palavra que você disser, mas defenderei até a morte o direito de dizê-las”. Isto, na realidade, tornou-se uma distante utopia. As manifestações, principalmente no campo político, são desrespeitosas, intolerantes, embasadas em um fanatismo político inaceitável. A crise política em voga não justifica tal tipo de comportamento estúpido.

Outro exemplo, que dou somente para ilustrar como se dá o fanatismo ideológico, entre muitos outros exemplos (e já adianto: não sou machista!), é o das pessoas que se dizem “feministas” (ou que defendem qualquer outro “-ismo”), mas que não têm nenhuma base intelectual sobre a ideologia feminista sequer, e preferem seguir um clichê pobre de androfobia, uma pura e simples aversão ou medo ao caráter do macho, aversão à figura paterna, o patriarca. Tiburi (2015), afirma que o feminismo “não é uma ideologia no sentido positivo – e a-crítico – de conjunto de ideias, muito menos é uma ideologia no sentido negativo de ‘falsa consciência’ que serviria para acobertar a disputa de poder entre homens e mulheres, quando buscar-se-ia uma supremacia de gênero – no caso o feminino contra o masculino – e uma mera inversão de jogo no sistema da dominação masculina. O feminismo não é uma inversão ideológica. Não é uma inversão do poder. Uma inversão pressuporia sua manutenção. Em outras palavras, o feminismo não é uma manutenção do poder patriarcal com roupagem nova ou invertida que se alcança por uma ideologia de puro oposicionismo”. 1

Ou seja, uma ideologia de afirmação, não pressupõe a negação, a oposição pura e simples. Ser feminista, então, não seria se opor ao homem, à figura do macho. Nada disso.

O que é pior, é que esse tipo de comportamento imbecilizado, esse “puro oposicionismo” sem base intelectual, não é uma exclusividade dos ignorantes que não frequentaram a escola ou que possuem pouca escolarização, mas de muitos ditos “cultos” e “inteligentes”.  São jornalistas, colunistas de revistas de grande tiragem, médicos, advogados, engenheiros, profissionais que, infelizmente, foram contaminados pelo fanatismo doentio e passaram a enxergar por um único viés. Por exemplo, jornalistas que incorporaram uma ideologia político-partidária irracional, infectando editoriais, blogs e outros meios de comunicação com a semente do ódio e pregando a intolerância. O indivíduo tornou-se cego e surdo. Tudo o que o seu desafeto faz, está errado. Tudo que aquele com quem ele simpatiza faz, mesmo estando errado, para o fanático, está correto. Refiro-me a homens e mulheres, sem distinção de gênero e orientação ou opção sexual, nem de idade, nem de situação socioeconômica.

É muito comum, também, encontrarmos pessoas que não sabem ouvir, amargas, negativistas, rancorosas, arrogantes e prepotentes. Para esses indivíduos, o outro não existe, pois se acham absolutos. Geralmente, esse tipo de pessoa considera-se superior aos seus semelhantes, muitas vezes movida pela ilusão de um pseudo-poder. Interagir ou conviver com pessoas com esse tipo de perfil humano é insuportável – ele aborrece e incomoda.

Para Hannah Arendt (1906-11975), “A pluralidade humana, condição básica da ação e do discurso, tem o duplo aspecto da igualdade e diferença. Se não fossem iguais, os homens seriam incapazes de compreender-se entre si e aos seus antepassados, ou de fazer planos para o futuro e prever as necessidades das gerações vindouras. Se não fossem diferentes, se cada ser humano não diferisse de todos os que existiram, existem ou virão a existir, os homens não precisariam do discurso ou da ação para se fazerem entender”. 2

Assim, a pluralidade, em um sentido ideológico ou político, corresponde à atitude de aceitação da diversidade de opiniões, atitudes ou posições diferentes e até mesmo divergentes, que no entanto se respeitam mutuamente. Agir de acordo com esses princípios é uma questão ética. Lidar com pessoas incapazes de compreender as divergências de ideais é sempre um grande desafio. São pessoas difíceis.

As pessoas difíceis estão mergulhadas na ignorância, por isso, não se reconhecem como alienadas, ficam “cegas”. Para elas, o alienado é sempre o outro. Por exemplo, se a pessoa tem uma afinidade com determinado grupo político, religioso ou crença em determinados “valores”, quem pensa diferente é considerado “burro”. Se é do PSDB, quem é do PT é considerado como limitado intelectualmente e vice-versa.

Os arrogantes podem ser pessoas extremamente irritantes, que têm o hábito de provocar e humilhar o outro, e embora possam não sentir prazer ao fazer isso, mesmo assim o fazem. Tratam quem pensa diferente como incompetente. Portanto, a melhor forma de lidar com pessoas difíceis é ignorá-las. Ignore-as, sempre que puder. Evite conversar, acessar blogs e perfis virtuais desse tipo de pessoa, para não se aborrecer. Se possível, evite tocar em assuntos polêmicos com o indivíduo, e caso insista, mude de assunto, fuja da discussão, sem medo de ser chamado de covarde.  Somente quando se sentir isolado, sem ter mais ninguém com quem possa dar vazão à sua paranoia, é que vai perceber que ele mesmo é um grande chato.

 

Luiz Claudio Tonchis é Educador e Gestor Escolar, trabalha na Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, é bacharel e licenciado em Filosofia, com pós-graduação em Ética pela UNESP e em Gestão Escolar pela UNIARARAS. Atualmente é acadêmico em Pós-Graduação (MBA) pela Universidade Federal Fluminense. Escreve regularmente para blogs, jornais e revistas, contribuindo com artigos em que discute questões ligadas à Política, Educação e Filosofia.

Contato:  lctonchis@gmail.com

Referências

1.      Tiburi, M., “O que é feminismo?” http://revistacult.uol.com.br/home/2015/03/o-que-e-feminismo (acesso em 28/10/2015).

2.      Custódio, T.S., Oliveira J.L., “A questão da pluralidade no âmbito da aparência no pensamento político de Hannah Arendt. http://www.ufsj.edu.br/portal2-repositorio/File/existenciaearte/Edicoes/5_Edicao/a_questo_da_pluralidade_no_mbito_da_aparncia_no_pensamento_poltico_de_hannah_arendt_thamara_custdio.pdf (acesso em 28/10/2015).

PÉ NA ABÓBORA

Saci Pé na Abóbora

Publico o desenho acima como parte da campanha “Halloween o caralho. Valorize o folclore brasileiro”.

A PRIMEIRA MULHER

Maria Teresa de Filippis - GP Napoles 1956 - Maserati

Presente do dia, enviado pelo Ricardo Divila: uma bela imagem da italiana Maria Teresa de Filippis, a primeira mulher a disputar um GP de Fórmula 1. Na verdade, foram três, todos em 1958, com um 10º lugar como melhor resultado. A foto acima é de dois anos antes: foi feita no GP de Nápoles (extracampeonato) e o carro é uma Maserati. Como escreveu o Ricardo, “um aplauso à pioneira”.

 

SECOS & MOLHADOS – “VÔO” *

ave nave

*Com acento circunflexo e tudo. É a grafia da palavra em 1974, quando foi lançado o segundo disco do Secos & Molhados.

E O PILOTO É… VLADIMIR PUTIN

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A pergunta é simples, mas duvido que alguém acerte a resposta. Se você puder, dê detalhes do carro também. O “gabarito oficial” será divulgado na noite de segunda-feira, dia 5 de outubro. Valendo!

Atualização (com um pequeno atraso de 7 dias…): o piloto acima é Vladimir Putin – ele mesmo, o presidente russo – e a foto foi feita em São Petersburgo, na Rússia, em novembro de 2010. O carro, apesar da pintura de Renault daquele ano, é um Prost AP04 de 2001. O colega Silvio Nascimento mandou dois links de vídeo da aventura de Putin com um F1: https://www.youtube.com/watch?v=HvINFJXko7ghttps://www.youtube.com/watch?v=evAdH-qNwKY. A “voltinha” de Putin aconteceu logo depois da assinatura do contrato para a realização do primeiro GP da Rússia de Fórmula 1, que viria a acontecer em 2013.

 

EXCLUSIVO: COMO JACKIE STEWART IDENTIFICA UM MOTORISTA BRASILEIRO

Stewart e sua mulher, Helen (à direita), em foto feita entre 1971 e 1973. A outra moça eu não sei quem é.

Stewart em foto feita entre 1971 e 1973. A moça à direita é sua mulher, Helen.

Stewart e o Tyrrell 006 com o qual conquistou seu terceiro título, em 1973. A foto é do GP de Bahrein de 2010, durante a homenagem aos campeões mundiais feita em comemoração ao 60º aniversário do Campeonato Mundial de Fórmula 1.

Stewart e o Tyrrell 006 com o qual conquistou seu terceiro título, em 1973. A foto é do GP de Bahrein de 2010, durante a homenagem aos campeões mundiais feita em comemoração ao 60º aniversário do Campeonato Mundial de Fórmula 1.

Testando o F1 de sua própria equipe em 1997.

Testando o F1 de sua própria equipe em 1997.

O escocês Jackie Stewart é um daqueles casos de piloto que sempre se manteve intimamente ligado ao automobilismo depois de parar de correr. Para quem não o conhece, ou para os que o subestimam (sim, tem gente que “esquece” de mencioná-lo entre os grandes pilotos de todos os tempos), seu currículo é este: três títulos mundiais (1969-1971-1973) e 27 vitórias na F1, alcançadas no ano do tricampeonato e um recorde então. No final de 1973, Stewart parou de pilotar. Seu recorde de vitórias só foi superado em 1987, por Alain Prost.

Em sua vida pós-piloto, Stewart foi comentarista de corridas da emissora de TV estadunidense ABC, testou carros de F1 para fins jornalísticos e teve equipes de Fórmula Ford, Fórmula 3 e Fórmula 3000. Em 1997, apoiado pela Ford, sua parceira de longa data, criou a equipe Stewart Grand Prix de Fórmula 1. Dois anos depois, a Stewart Grand Prix conseguiu uma surpreendente e memorável vitória no GP da Europa, realizado em Nürburgring, na Alemanha: Johnny Herbert foi o primeiro colocado e Rubens Barrichello o terceiro. Entre eles ficou Jarno Trulli, na época piloto de outra equipe pertencente a ex-campeão mundial: a Prost Grand Prix. Nessa altura, Stewart já havia negociado a transferência de sua equipe para a Jaguar, marca então pertencente à Ford, para a temporada de 2000. A Jaguar se retirou da F1 no final de 2004 (sem repetir o sucesso da Stewart) e suas instalações foram compradas pela Red Bull, que está aí até hoje com os resultados conhecidos. A partir da venda de sua equipe, Stewart seguiu frequentando os paddocks como relações públicas e garoto-propaganda de luxo de diversas empresas. Atualmente, divulga os relógios Rolex, outra parceria publicitária de mais de 40 anos.

Sempre preocupado com a segurança nas pistas, Stewart tornou-se também um engajado batalhador de uma causa nobre: a segurança no trânsito. Deu cursos e palestras pelo mundo afora e, ainda na década de 1970, criou uma “competição” na qual vencia quem dirigisse com mais suavidade. No capô dianteiro de um carro, prendia-se uma bacia rasa com uma bola dentro. O desafio era fazer no menor tempo possível um percurso pré-determinado sem deixar a bola cair. Para isso, evidentemente seria necessário acelerar, frear e fazer as curvas com extrema delicadeza.

Essa longa introdução era necessária para contextualizar a história a seguir. Ela foi contada a mim por Ricardo Strunz, executivo com passagem por diversas fábricas de automóveis instaladas no Brasil. Em nosso último encontro, há coisa de um ou dois anos, ele integrava a diretoria da CN Autos, importadora de automóveis e utilitários de várias marcas chinesas.

Na década de 1990, Strunz trabalhava na Ford do Brasil e, durante uma visita à matriz em Detroit, assistiu palestras sobre direção segura ministradas por Stewart. Em seguida, foi feita uma avaliação prática: cada participante dava uma volta dirigindo pelas ruas de Detroit, tendo Stewart como passageiro. Durante e depois do percurso, o tricampeão fazia observações sobre vícios de condução e dava sugestões para dirigir melhor.

Quando chegou sua vez, Strunz sentou-se ao volante, apresentou-se a Stewart, regulou espelhos e posição do banco, deu a partida e saiu. Após dobrar a primeira esquina, ouviu a seguinte pergunta, acompanhada de um sorriso maroto do escocês:

– You are Brazilian, right? (Você é brasileiro, certo?)

Atônito, Strunz disse que sim e perguntou como Stewart sabia disso. Imaginava ouvir alguma coisa como “notei o sotaque” ou “vi seu nome na lista tal”, mas a resposta foi surpreendente:

– É que vocês, brasileiros, criaram a “rolling stop” (“parada em movimento”). Nos sinais de “pare”, vocês só param de verdade se perceberem que é impossível entrar direto. Se não vier ninguém, apenas diminuem a velocidade e seguem adiante. É verdade ou não?

Em meio a boas risadas de parte a parte, Strunz confirmou a observação de Stewart. E aumentou ainda mais sua admiração pelo escocês que descobriu o “jeitinho brasileiro” de lidar com o trânsito.

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